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intenção de saber tudo para passar na prova

by antonio polma (2018-11-21)


A questão não é que todas essas respostas sejam simplistas, embora na realidade sejam. Ou que não dêem uma explicação adequada, embora de fato não dêem. Ou mesmo que não estimulem falsas convicções, embora na verdade estimulem. O problema real é que elas nos fazem parar de pensar. Paradoxalmente, o ímpeto de querer saber talvez seja um dos obstáculos que mais ameaçam o pensamento produtivo. As pessoas que “sabem” podem nos dizer todas as coisas que não podem ser feitas e por que não podem ser feitas. As pessoas que “sabem” não necessitam aprender porque já têm as respostas. As pessoas que “sabem” estão preenchidas — ou talvez simplesmente consumadas. Na maioria dos casos, as pessoas que “sabem” são também pessoas que não sabem assuntos prova do Enem 2020 Contudo, esperteza ou “intenção de saber tudo” não é a mesma coisa que conhecimento. A esperteza é selada; nada consegue penetrá- la. O conhecimento é manifesto. A esperteza considera o desafio uma ameaça. O conhecimento considera o desafio uma oportunidade. A esperteza é uma porta levadiça que nos ajuda a ter a sensação de proteção. O conhecimento é uma estrada que nos conduz a novos horizontes. 1 No pensamento produtivo, não devemos nos precipitar nas respostas, mas hesitar, continuar fazendo perguntas mesmo quando as respostas nos pareçam óbvias. George Bernard Shaw fez a seguinte observação: “Nenhuma pergunta é tão difícil de responder quanto aquela cuja resposta é óbvia”. Estender-se na ambiguidade de não ter resposta alguma força-nos a pensar em possibilidades alternativas. O brilhante físico inglês David Bohm reproduziu Shaw ao dizer: “Estender-se na ambivalência dá ao criador acesso a […] nuanças normalmente obscurecidas por nossos padrões de pensamento polarizados”. 2 Resistir ao ímpeto de querer saber significa prolongar-se na dúvida. Isso é difícil de fazer por dois motivos. Primeiramente, nosso cérebro é fisicamente estruturado e programado para categorizar os estímulos sensoriais provenientes do universo ao nosso redor: ele adapta com esforço, como se usasse uma “calçadeira”, o que vemos, ouvimos, cheiramos, tocamos e provamos pelo paladar em padrões reconhecíveis de visão, som, cheiro, tato e sabor. Em segundo lugar, tanto nosso sistema educacional quanto nosso sistema ocupacional tendem a recompensar mais as respostas do que o raciocínio. Biologicamente e socialmente, estamos condicionados a saltar para as conclusões do novo Enem 2020. Assim que atribuímos um significado, ficamos quase inevitavelmente atados a ele. Não importa quantas vezes Sy lvia Wright tenha escutado aquela letra antes de aprender o verso correto, a imagem expulsou a imagem do desafortunado Moray em sítio dos comuns mortais. Nossa mente detesta não poder interpretar, não poder se atracar a respostas. Quando de fato nos atracamos a uma resposta ou interpretação, efetivamente repreendemos todas as demais. P